A Indonésia não estava no meu mapa quando inicialmente desenhei o roteiro da minha viagem. Mas, chegado a Malaca, percebi que estava a um visto eletrónico e duas horas e meia de ferry de pisar outro país e de ter contacto com outro povo. Dada a enorme diferença a todos os níveis entre os vizinhos Tailândia e Malásia e o meu gosto por andar de barco decidi ir conhecer a Indonésia e os indonésios. Numa rápida pesquisa fiquei a saber que do outro lado estava uma cidade piscatória com um enorme porto comercial e algumas praias paradisíacas nas proximidades e um país que partilha com a Malásia a língua e a religião oficial. Logo à chegada ao terminal percebi que só partilham mesmo isso, porque se os malaios são extremamente organizados, ordeiros, metódicos e ricos os indonésios são caóticos, confusos, ruidosos e muito pobres. O trânsito muito caótico, embora não tanto quanto o que viria a encontrar na Índia uns dias mais à frente; as ruas sujas e em alguns locais com esgotos a correr a céu aberto; as casas muito rudimentares, com muita gente a viver ainda em cabanas tipo bairro de lata, construídas de todo o tipo de sucata. O cenário pôs-me a pensar como é que num país tão rico em matérias-primas – tem petróleo e gás natural e é o segundo maior produtor mundial de óleo de palma, além das reservas de ouro, cobre e níquel, as pessoas vivem de uma forma tão pobre? Ainda para mais tendo com termo de comparação os organizados e abastados vizinhos do lado. Mas nada disso parece afetar os indonésios: afáveis, simpáticos, disponíveis e sempre alegres. Aquela zona de Dumai, ao contrário de outras na mesma Ilha de Sumatra, não tem resorts nem está habituada a ser visitada por turistas, pelo que durante dois dias fui a atração principal da cidade: “Hey mister, mister, how are you?”, “Hey mister, where are you going?” “Hey mister, please take me a photo”. Se ao início me fez confusão não conseguir passar despercebido, acabei por me habituar e gostar, sobretudo pela alegria e genuinidade das abordagens. Até na alegria contrastam com os vizinhos malaios, que não sendo um povo triste andam sempre mais sisudos e silenciosos. Conclusão: aquilo a que nos chamamos qualidade de vida não tem relação direta com a felicidade.









[ENG]
Postcards from Indonesia: Dumai
Indonesia wasn’t on my initial itinerary. But when I arrived in Malacca, I realized I was just an electronic visa and two and a half hours by ferry away from stepping foot in another country and encountering a new culture. Given the stark contrast between neighboring Thailand and Malaysia and my love of boating, I decided to explore Indonesia and its people. A quick search revealed that on the other side was a fishing town with a massive commercial port and some nearby paradisiacal beaches, and a country that shares the official language and religion with Malaysia. As soon as I arrived at the terminal, I realized that these were the only similarities. While Malaysians are extremely organized, orderly, methodical, and wealthy, Indonesians are chaotic, disorganized, noisy, and very poor. The traffic is incredibly chaotic, though not as chaotic as what I would later encounter in India. The streets are dirty, and in some places, there are open sewers. The houses are very rudimentary, with many people still living in shantytown-style huts made from all sorts of junk. It made me wonder how, in a country so rich in natural resources – oil, natural gas, palm oil, gold, copper, and nickel – people could live in such poverty, especially when compared to its organized and wealthy neighbors. But none of this seemed to affect the Indonesians: they were affable, friendly, approachable, and always cheerful. That area of Dumai, unlike others on the island of Sumatra, has no resorts and isn’t accustomed to tourists, so for two days I was the town’s main attraction: “Hey mister, mister, how are you?” “Hey mister, where are you going?” “Hey mister, please take a photo with me.” At first, I found it disconcerting not to be able to go unnoticed, but I eventually grew accustomed to it and even enjoyed it, especially because of the joy and genuineness of the interactions. Even their cheerfulness contrasts with their Malaysian neighbors, who, while not sad, are generally more somber and reserved. The bottom line: what we call quality of life isn’t necessarily directly linked to happiness.

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