Quem pretendia assistir a um concerto convencional ou a um desfile em jeito de best off dos Massive Attack possivelmente terá ficado desiludido.
A atuação de ontem no MEO Kalorama foi antes uma instalação de áudio, vídeo em jeito de manifesto político, social, ecológico e filosófico em que a música (deles, dos Young Fathers, dos Cocteau Twins e dos Ultravox) serviu de suporte e banda sonora. Fazendo jus ao seu nome, assistimos a um ataque massivo de mensagens, de números, de imagens chocantes sobre o caos que reina no mundo, a(s) guerras(s) enquanto shows de TV, o consumo desenfreado dos recursos naturais em nome do consumismo desregulado que rege a economia global, ou o uso da tecnologia com fator de distração e de divisão que nos impede de atingirmos o nosso potencial.
Mais que um concerto foi uma grandiosa e atrevida obra de arte audiovisual.
Esta foi a quarta vez que os vi em palco, sempre tiveram esta dimensão interventiva mas, a de ontem foi a mais obscura, mais pessimista, mais crua atuação que lhes vi até à data.
Salvaram-me a noite no Kalorama, que depois do cancelamento do concerto de Fevere Ray, tinha perdido outro ponto de interesse que tinha no alinhamento do primeiro dia.
[ENG]
Anyone hoping to see a conventional concert or best-of parade from Massive Attack may have been disappointed.
Instead, last night’s performance at MEO Kalorama was an audio and video installation in the form of a political, social, environmental and philosophical manifesto, with music (theirs, the Young Fathers’, the Cocteau Twins’ and Ultravox’s) serving as support and soundtrack. True to its name, we saw a massive onslaught of messages, numbers and shocking images about the chaos that reigns in the world, wars as TV shows, the unbridled consumption of natural resources in the name of unregulated consumerism that dominates the global economy, or the use of technology as a distracting and divisive factor that prevents us from reaching our potential.
More than a concert, it was a magnificent and daring work of audiovisual art.
This was the fourth time I’ve seen them on stage, and they’ve always had this interventionist dimension, but last night’s was the darkest, most pessimistic, most raw performance I’ve ever seen.
They saved my night at the Kalorama, which, after the cancellation of Fevere Ray’s concert, had lost another point of interest in the first day’s lineup.

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