A Magia do Vinyl

O ritual de tirar um disco da capa, de o colocar a rodar no gira-discos e de escutar a música enquanto, simultaneamente, se admira a arte gráfica da capa e/ou se leem e cantarolam as músicas tem qualquer coisa de religioso.
Comecei a colecionar música muito cedo. Ao longo dos 80s e dos 90s acumulei dezenas de cassetes e outras tantas de discos de vinil e centenas de CDs. Com o advento do digital, nos 00s, acumulei em discos externos muitos gigas de mp3s e FLACs que depois arrumei na garagem por troca com o muito mais confortável streaming, primeiro via Spotify e mais recentemente via Tidal.
Nestes últimos anos, regressei, paulatinamente e cada vez de forma mais convicta, aos formatos físicos que me permitem criar uma relação com a música que não se esgota no som. Preferencialmente o vinil mas também o CD voltaram a estar cada vez mais (omni)presentes no quotidiano. Ter em mãos um objeto ao qual posso atribuir um significado em função da relação emocional que construo com a música que escuto transporta-me para o campo espiritual. Os discos são objectos que me ligam a um passado, mais ou menos recente, e que me transportam para além de mim próprio.
Retirar o disco da prateleira, tirá-lo da capa e limpá-lo, colocá-lo no gira-discos e pô-lo a rodar. A agulha que cai e o estalido mágico e familiar durante alguns segundos antes de a beleza da música analógica ser transmitida aos meus ouvidos. É magico! É transcendente!


[ENG]

The Magic of Vinyl

The ritual of removing a record from its sleeve, placing it on the turntable, and listening while admiring the cover art and perhaps reading or humming along has a quasi-religious quality.
I began collecting music at a very young age. Throughout the 80s and 90s, I amassed dozens of cassettes, a similar number of vinyl records, and hundreds of CDs. With the arrival of digital music in the 2000s, I accumulated gigabytes of MP3s and FLACs on external hard drives, which I eventually stored in the garage, opting for the convenience of streaming, first through Spotify and later Tidal.
In recent years, I’ve gradually returned to physical formats, which foster a deeper connection with music that extends beyond just the sound. Vinyl, in particular, but also CDs, has become increasingly prevalent in my daily life. Holding a physical object to which I can assign meaning based on my emotional connection to the music creates a sense of transcendence. Records connect me to the past, whether recent or distant, and transport me beyond myself.
I select a record from the shelf, remove it from its sleeve, clean it, place it on the turntable, and set it spinning. The needle drops, and there’s that magical, familiar click for a few seconds before the rich sound of analog music reaches my ears. It’s magical! It’s transcendent!


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