


No palco, minimal e modesto, meia dúzia de guitarras, um amplificador e um banco. Após o tradicional quarto de hora académico que caracteriza o fuso horário de Coimbra, o músico entra em palco, só e tímido, quase que a pedir licença para iniciar o seu concerto.
Tó Trips é um dos mais estimulantes músicos do atual panorama da música feita em Portugal. Em conjunto: dos longínquos Lulu Blind aos maravilhosos Club Makumba, passando pelos brilhantes Dead Combo, ou a solo, tem co-escrito algumas das páginas mais bonitas do pop-rock nacional. No concerto de ontem, no belíssimo Salão São Tomás do Seminário Maior de Coimbra, percorreu os seus três discos a solo, com a sua já habitual mestria e empenho. É tal o seu envolvimento com a música e as guitarras que sempre que se manifesta, entre canções, a voz embarga e as palavras saem poucas e meio perras ainda que sempre sentidas e sinceras. Mas, o que lhe vai faltando em palavras sobra em geniais momentos de execução musical, arrancando várias salvas de palmas bastante prolongadas e voltando para um encore, mais que merecido e muito convictamente pedido por uma sala cheia e em êxtase com os momentos de magia musical que tinha acabado de presenciar.
On stage, minimal and modest: half a dozen guitars, an amplifier, and a stool. After the traditional academic quarter-hour delay that characterizes Coimbra’s time zone, the musician enters the stage, alone and shy, almost asking permission to begin his concert.
Tó Trips is one of the most exciting musicians on the current Portuguese music scene. Whether with distant Lulu Blind, the marvelous Club Makumba, or with the brilliant Dead Combo, or solo, he has co-written some of the most beautiful pages of national pop-rock. At yesterday’s concert, in the beautiful Salão São Tomás of the Seminário Maior in Coimbra, he performed his three solo albums with his usual mastery and commitment.
Such is his involvement with music and guitars that whenever he speaks between songs, his voice chokes, and his words come out few and far between, though always heartfelt and sincere. But what he lacks in words, he makes up for in brilliant moments of musical execution, eliciting several prolonged rounds of applause and returning for an encore, more than deserved and very strongly requested by a room full of people ecstatic with the moments of musical magic they had just witnessed.

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