
Há dias dei por mim a tentar perceber de onde vem o meu encantamento com barcos. Não só por andar de barco, mas também por, simplesmente, observá-los. Vêm-me a memória muitos fins de tarde passados em marinas a observar os barcos atracados e a sonhar, de olhos abertos, viagens nunca feitas e outras que talvez um dia ainda sejam.
Não há na minha memória genética, pelo menos nas gerações das quais há recordação, nenhum histórico de marinheiros ou de barqueiros ou de outra gente ligada a embarcações. Pelo que muito certamente esta atração e este fascínio, de tão fortes que são, terão origem na minha memória cármica. Algures em outra vida, noutra encarnação estive, de alguma forma, ligado à navegação e à vida nos barcos.
Nas primeiras semanas da viagem que concluí há dias, viajei bastante de barco. Viagens mais curtas entre margens (no Bósforo, em Istambul e no Chao Phraya, em Bangkok), mais longa, no ferry que faz a travessia entre Malaca, na Malásia e Dumai, na Indonésia. Mas onde me senti realmente em casa e feliz, foi nos tradicionais “longtail” que fazem a ligação entre Ao Nang – embarcadouro próximo a Krabi (Tailândia) e as pequenas ilhas ao largo no Mar de Andamão – Phi Phi, Ko Poda, Chicken Rock, etc. Ir ali sempre próximo ao mar, a sentir as gotas de água quente e salgada a salpicarem-me a cara e o tronco nú trouxe-me uma sensação de pertença à alma, um sentimento de reconhecimento à mente e um sorriso rasgado ao rosto.
[ENG]
A few days ago, I found myself pondering the source of my fascination with boats. Not just for boating, but also for simply observing them. I remember spending many afternoons in marinas, watching moored boats and dreaming, wide-eyed, of journeys never taken and others that might one day come to pass.
In my genetic memory, at least in the generations I can recall, there’s no history of sailors, boatmen, or other people connected to boats. So this attraction and fascination, as strong as it is, must originate from my karmic memory. Somewhere in another life, in another incarnation, I was somehow connected to sailing and life on boats.
In the first few weeks of my recent journey, I traveled extensively by boat. I took shorter trips between shores (on the Bosphorus in Istanbul and the Chao Phraya in Bangkok) and longer ones on the ferry between Malacca in Malaysia and Dumai in Indonesia. But where I truly felt at home and happy was on the traditional “longtail” ferries that connect Ao Nang—a wharf near Krabi, Thailand—with the small offshore islands in the Andaman Sea: Phi Phi, Ko Poda, Chicken Rock, etc. There, close to the sea, feeling the warm, salty water splashing my face and bare torso, I felt a sense of belonging in my soul, a recognition in my mind, and a smile on my face

Deixe um comentário