LunaFest’24 – Day Two

Que noite a de ontem, no Luna Fest: quatro excelentes concertos. Para alguém com gostos musicais diversos, a pluralidade de abordagens estéticas que desfilaram pelo palco do festival ontem foi um verdadeiro banquete.
A Selma Uamusse foi a grande surpresa do dia. Sei que a minha análise poderá estar enviesada pelo facto de estar numa fase em que os sons de África e por ela influenciados merecem muita da minha atenção, mas o jeito como o público sacudiu os corpos aos som dos ritmos africanos, a forma como reagiu às muitas mensagens de paz e amor da Selma e o modo convicto e demorado como a aplaudiram no final são sinónimos de um um momento especial de comunhão e celebração, que serviu de premonição para o resto da noite.
Os Belle Chase Hotel, assinaram mais um belo concerto. Juntos de novo, após mais de duas décadas de afastamento, com o seu distinto e original registo rock de cabaret e as canções dos dois primeiros discos a confirmarem toda a sua qualidade ao passarem incólumes pela peneira do tempo, intercaladas com alguns dos novos temas e e embaladas pelo sentido de humor refinado e único do JP Simões.
Kid Congo & Pink Monkeybirds… o que dizer do senhor King Congo Powers? 77 anos, um percurso que passou pelos Cramps, pelos Gun Club e pelos The Bad Seeds de Nick Cave e que ainda é senhor de uma energia contagiante, uma atitude de autenticidade motivadora e um discurso positivamente encorajador.
O último concerto a que assisti ontem, penúltimo do alinhamento da noite, foi o do Jon Spencer já sem usar a designação Blues Explosion, mas com a explosão de blues omnipresente. Não houve descanso, praticamente não houve pausas entre as músicas, blues e rock sempre na mais alta voltagem. E aquele baterista, Meus Deus, o que é aquilo? Que espancamento que aquela bateria levou!
Ontem vim para casa de “barriga” cheia de boa música, com um sorriso nos lábios e com a bateria da minha carcaça no redline.
Obrigado, Luna Fest!


[ENG]

What a night last night at Luna Fest! Four excellent concerts. For someone with diverse musical tastes, the plurality of aesthetic approaches on display on the festival stage yesterday was a veritable feast.Selma Uamusse was the standout surprise of the day. I know my analysis might be biased, given my current fascination with African sounds and their influences. But the way the audience swayed to the African rhythms, reacted to Selma’s messages of peace and love, and offered a heartfelt and prolonged applause at the end, signified a special moment of communal celebration. This set the tone for the rest of the evening.The Belle Chase Hotel delivered another stunning performance. Reunited after over two decades, they showcased their distinctive, cabaret-rock sound and timeless songs from their first two albums, interspersed with new material. JP Simões’s refined and unique sense of humor added to the magic.Kid Congo & the Pink Monkeybirds… what can we say about Mr. King Congo Powers? At 77, he still exudes contagious energy, authenticity, and a positive, encouraging stage presence. His career with the Cramps, Gun Club, and Nick Cave’s Bad Seeds is a testament to his enduring influence.The penultimate performance of the night was by Jon Spencer, no longer with the Blues Explosion but still delivering a high-voltage, blues-rock extravaganza. The relentless energy and the drummer’s ferocious performance were truly awe-inspiring.I left the festival with a full heart, a smile on my face, and a body buzzing with energy. Thank you, Luna Fest!


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