


Marcado pelas dores de crescimento (alguns atrasos e uns quantos constrangimentos técnicos) normais de um festival que ainda dá os primeiros passos rumo a uma afirmação assente em dois pilares: descentralização a assumpção convicta de uma matriz fiel ao rock’n’roll, a primeira noite do LunaFest caracterizou-se pelo confronto em jeito dialético entre duas abordagens distintas à linguagem do rock’n’roll. De um lado bandas e músicos que marcaram uma época com o seu atrevimento e a sua coragem de serem diferentes mas que a dado passo estagnaram e acabaram por se transformar naquilo de que se pretendiam diferenciar, continuando após décadas a tocar as mesmas coisas da mesma forma que sempre o fizeram – Theatre of Hate, Lene Lovich ou mesmo os Psychedelic Furs, que apesar no seu curtíssimo set não mostraram nada de inovador. Do outro ,The Legendary Tigerman, um músico rock que se transforma e se transmuta em cada disco e em cada tournée, mostrando como o rock continua vivo e pode ser um laboratório de possibilidades infinitas onde fusão, reinvenção e progressão são notas dominantes. Desde a sua génese com o mais nu, solitário e intimista em jeito de ‘one man band’ “Naked Blues” até ao mais recente e eletrónico “Zeitgeist” no concerto de ontem percorreu a sua discografia sempre com energia, atrevimento e desafio que contrastaram com o tom monótono e resignado dos outros concertos a que assisti.
Em jeito de metáfora à cidade foi como se uma lado estivesse a Coimbra adormecida e parada do tempo à espera de ser salva da modorra que a atingiu nas últimas décadas e do outro estivesses a cidade que agora se encontra toda desventrada e que perece querer acordar para uma nova vida de agitação, movimento e progresso, muito bem representada por um músico que a ela está ligado umbilicalmente.
[ENG]
Marked by the typical growing pains (some delays and a few technical constraints) of a festival still in its infancy, the first night of LunaFest was characterized by a dialectical confrontation between two distinct approaches to rock ‘n’ roll. On the one hand, bands and musicians who once defined an era with their daring and innovative spirit, but who have since stagnated, becoming what they once sought to avoid. Despite decades of existence, they continue to perform the same material in the same manner – Theatre of Hate, Lene Lovich, and even the Psychedelic Furs, whose brief set offered nothing groundbreaking.On the other hand, The Legendary Tigerman, a rock musician who continually evolves and reinvents himself with each album and tour, demonstrated the enduring vitality of rock music as a laboratory of infinite possibilities, where fusion, reinvention, and progression reign supreme. From the stripped-down, solitary intimacy of “Naked Blues” to the more recent, electronic-infused “Zeitgeist,” yesterday’s concert traversed their discography with energy, daring, and a challenging spirit that stood in stark contrast to the monotonous and resigned tone of the other performances.As a metaphor for the city, it was as if, on the one hand, there was Coimbra, slumbering and frozen in time, awaiting rescue from the stagnation that has plagued it for decades. And on the other hand, there was the city that is now awakening to a new life of agitation, movement, and progress, embodied by a musician deeply intertwined with its essence.

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